(Fonte: unicitu, via poesia-de-boteco)


Confesso que depois de um tempo eu me tornei um pouco amarga. Não sei, mas eu cansei de ser quem eu fui, aquela idiota que fazia de tudo para ver todos felizes. Mas do que adiantava? Se eu não era o suficiente pra ninguém. O que havia de errado comigo, afinal? Não posso dizer que eu não fui uma pessoa feliz, eu tinha os meus momentos de alegria, que fatalmente eram poucos. Mas teve, isto que importa. Sempre fui só, desde pequena. Eu nunca consegui confiar em ninguém. Sempre fui do tipo de pessoa desconfiada, não é por mal, mas é de mim isto. Nasci com isso, confesso que depois de ser muito machucada a minha desconfiança aumentou muito mais do que o normal. Deixei de me importar com muitas coisas. Deixei de acreditar em muita coisa. E não foi porque eu quis e sim porque as coisas ocorridas abriram os meus olhos. Não sei o que me tornei, já nem sei mais quem eu sou. É como se eu estivesse adormecida em uma cama de hospital tomando soro para sobreviver, e tivesse uma substituta vivendo no meu lugar.
Não gosto de quem se faz de santa, de prestativa, de solícita, de legal. Não gosto de quem fala miando, se finge de sonsa, faz caras e bocas. Não gosto de gente artificial, que tem duas caras, dois jeitos, dois comportamentos. Sou a favor da transparência, de gente de verdade, sem retoques, sem artifícios. Tenho pavor de mulher fingida. Que se finge de morta, mas no fundo rebola o tempo todo, faz cara de atriz pornô pra ser notada e depois diz que ah-é-meu-jeito-sou-assim. Tenho pavor de mulher que se insinua o tempo inteiro e depois diz não-entendo-porque-todo-mundo-olha-pra-mim. Pavor.
Lembro de quando você me pedia para ficar mais um pouco, e a minha vontade era de ficar por mais 5 vidas.
Lembro de quando você me pedia para ficar mais um pouco, e a minha vontade era de ficar por mais 5 vidas.
Eu sempre passei por tudo sozinho, quieto. Nunca tive muitas pessoas pra me ouvir, ou alguém pra ‘correr para’ quando as coisas ficam difíceis. Suportei tudo no mais profundo silêncio, ninguém nunca me ouviu chorar de noite. O céu desmorona com muita frequência em cima de mim, tive que aprender a colocar tudo no lugar sem uma mão para poder segurar.
Aviso: eu não sou legal. Não gosto de gente burra, que força intimidade nas primeiras conversas e de repetir a mesma coisa duas vezes ou ter que responder perguntar óbvias até pra uma porta. Não me apego a praticamente ninguém… Mas quando me apego, é pra valer. Sou o tipo de amigo que não tá sempre bem, mas tá sempre junto. Sou facilmente conquistado pela boca. Tenho mania de corrigir os outros (e ficar puto quando sou corrigido), ironizar tudo — o tempo todo — e sou bem chatinho. Eu gosto de cafuné, dormir de ladinho e de chupões no pescoço. Outra coisa: uma dose de grosseria é sempre bom.
Eu poderia beber a semana toda, o mês todo, e talvez um ano. Mas não conseguiria esquecer aquele teu sorriso bobo, aquele teu olhar apaixonante, aquele teu jeito mimado, aquele teu livro favorito, aquela tua mania de passar a mão entre os cabelos quando sentia vergonha, aquela tua música favorita, aquele teu ciumes, aquele teu beijo… ah, que beijo. Não tem como esquecer né? Mas infelizmente, tudo não passa de lembranças.

(Fonte: fuckkrules, via mortalizado)


(Fonte: sex-s, via mortalizado)